| Por Silvia Schaefer, bióloga, mestre
em Botânica.
A organização dos seres vivos em categorias taxonomicas
é necessária para que não se faça confusão
entre plantas, ou quaisquer outros seres vivos.
Um exemplo clássico no Brasil é o da planta Manihot
esculenta. Ela apresenta muitos nomes comuns diferentes de
acordo com a região do Brasil: mandioca, macaxeira, aipim,
candinga, castelinha, macamba, entre outros. Apesar dos diferentes
nomes comuns, o nome científico é um só no
mundo inteiro: Manihot esculenta.
Mas por que isso é importante?
Um exemplo prático pode ilustrar bem o que eu quero dizer:
Em determinada ocasião eu estava assistindo a uma palestra
no Congresso Brasileiro de Bioquímica, quando a palestrante,
que falava de um fármaco novo extraído de uma planta
brasileira, descreveu a planta e sua classificação
completa. Como bióloga, eu entendo perfeitamente a necessidade
desta caracterização.
Um colega não-biólogo, sentado ao meu lado comentou:
“- que perda de tempo falar sobre a classificação
da planta. Vamos logo ao que interessa.” No mesmo instante
eu respondi: “- você acha válido falar sobre
o fármaco, sua estrutura química e propriedades, sem
saber de qual planta é extraído? E se você quiser
fabricar um medicamento a partir deste princípio ativo, vai
saber onde encontrá-lo, de onde extraí-lo?”.
Este é o tipo de confusão que se faz. A importância
da classificação dos seres vivos é ainda desprezada
por muitos cientistas que não pertencem às Ciências
Biológicas. Portanto, cabe a nós, biólogos,
professores, estudantes de biologia e simpatizantes da área,
disseminar estas informações e conscientizar as pessoas
da importância deste tipo de estudo.
Somente através do conhecimento das espécies, é
que poderemos fornecer subsídios para outras áreas
do conhecimento (como no exemplo dado acima) e principalmente para
a conservação das espécies. Como podemos conservar
sem conhecer? Se uma espécie “não existe”
oficialmente porque ainda não foi descoberta, será
impossível montar estratégias de preservação,
de manejo e mesmo de utilização sustentável
da mesma.
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