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A origem do sistema binomial de classificação
é o sistema polinomial, proposto em 1753, quando Linnaeus
publicou seu trabalho em dois volumes, Species Plantarum
(As espécies de plantas).
Neste trabalho, ele usou designações polinomiais
para todas as espécies de plantas como meio de descrevê-las
e nomeá-las ao mesmo tempo. Ele considerava estes polinômios
como se fossem nomes próprios, capazes de caracterizar cada
uma das plantas existentes. Ex:
O polinômio (nome próprio) da planta conhecida como
gataria era: Nepeta floribus interrupte spicatus pedunculatis
(Nepeta com flores em uma espiga pedunculada ininterrupta). O nome
era, ao mesmo tempo, a identificação e a descrição
da planta.
Mas, além disso, Linnaeus acrescentou uma inovação
importante. Em seu livro, próximo ao polinômio de cada
planta, ele escreveu uma única palavra que, quando combinada
ao polinômio, fornecia à planta uma designação
mais particular.
No caso da gataria, ao lado do polinômio ele escreveu: “cataria”
(que em latim significa “associada ao gato”). Assim,
ele chamava a atenção para um atributo popularmente
conhecido da planta.
Em pouco tempo, o próprio Linnaeus e seus seguidores passaram
a chamar esta planta de Nepeta cataria, que ainda hoje
é a designação oficial.
Logo a conveniência deste novo sistema foi reconhecida e,
ao invés dos incômodos e longos polinômios, passou-se
a utilizar o sistema binomial (de dois termos), que é utilizado
até hoje.
Entretanto, a dificuldade de comunicação existente
naquela época entre países e, ainda mais, entre continentes,
gerou uma grande duplicidade de nomes científicos ao redor
do mundo. Para resolver isto, foi criado o Código Internacional
de Nomenclatura Botânica, que reúne as regras de nomenclatura
aplicadas às plantas. Uma destas regras diz que o nome binomial
mais antigo aplicado a determinada espécie tem prioridade
em relação aos posteriormente aplicados à mesma
espécie.
Mas como saber qual é o mais antigo? A principal forma
é a publicação dos resultados de pesquisas
em revistas científicas especializadas. No Brasil, um bom
exemplo é a Revista
Brasileira de Botânica.
Quando dados são disponibilizados em uma revista científica,
tem-se a data em que aquela edição foi publicada e
aquela determinada espécie passa a “valer” oficialmente
a partir daquela data. Qualquer publicação posterior
será desconsiderada.
Atualmente, com o advento da internet, bancos de dados eletrônicos
entre universidades, herbários, institutos de pesquisa e
disponibilização de artigos na internet pelas próprias
revistas científicas, tornou-se muito mais fácil saber
se uma determinada planta ou qualquer outro ser vivo é uma
espécie nova ou se já foi estudada e batizada anteriormente.
Por isso, tem acontecido cada vez menos casos de duplicidade de
nomes científicos.
No passado isso era muito comum, pois uma publicação
feita em uma parte do mundo muitas vezes não era conhecida
em outra. Assim, outro pesquisador, em outro local, acabava “descobrindo”
novamente determinada planta, descrevendo-a e batizando-a. Quando
isso acontece, o nome mais antigo tem prioridade. Por isso existem
até hoje as “sinonímias botânicas”,
ou seja, diferentes nomes científicos para a mesma planta,
já que muitas vezes não é o nome mais antigo
o mais conhecido.
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